domingo, 25 de janeiro de 2009

A vida é uma viagem...

Recebi um email a algum tempo atrás escrito por Silvana Duboc que comparava a vida com uma viagem de trem! Se pararmos para pensar, o trem é uma metáfora muito interessante quando bem interpretada...


A vida não é mais do que uma viagem de trem: repleto de embarques e desembarques, salpicado por acidentes, surpresas agradáveis em algumas estações e profundas tristezas noutras.


Ao nascer, embarcamos no trem e encontramo-nos com algumas pessoas que acreditamos que estarão sempre connosco nesta viagem: Os nossos PAIS.


Lamentavelmente, a verdade é outra. Eles sairão em alguma estação, deixando-nos órfãos do seu carinho, amizade e da sua companhia insubstituível.


Apesar disto, nada impede que entrem outras pessoas que serão muito especiais para nós. Chegam os nossos irmãos, amigos e esses maravilhosos amores. Dentre as pessoas que apanham este comboio, também haverá quem o faça como um simples passeio. Outros, só encontrarão tristeza nessa viagem… E outros também, que circulando pelo trem, estarão sempre prontos para ajudar a quem precisa.


Muitos, quando descem do trem, deixam uma permanente saudade… Outros passam tão despercebidos que nem reparamos que desocuparam o lugar.


Às vezes, é curioso constatar que alguns passageiros, que nos são muito queridos, se instalam noutras carruagens, diferentes da nossa. Assim, temos de fazer o trajeto separados deles. Mas, nada nos impede que, durante a viagem, percorramos a nossa carruagem com alguma dificuldade e cheguemos até eles...
Mas, lamentavelmente, já não nos poderemos sentar ao seu lado, pois estará outra pessoa a ocupar o lugar. Não importa. A viagem faz-se deste modo: cheio de desafios, sonhos, fantasias,
esperas e despedidas... mas nunca de retornos. Então, façamos esta viagem da melhor maneira possível…
Tratemos de nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando em cada um, o melhor deles. Recordemos sempre que em algum ponto do trajeto, eles poderão hesitar ou vacilar e, provavelmente, vamos precisar entendê-los… Como nós também vacilamos muitas vezes, sempre haverá alguém que nos compreenda.
No fim, o grande mistério é que nunca saberemos em que estação vamos sair, nem, muito menos, onde sairão os nossos companheiros, nem sequer, aquele que está sentado ao nosso lado. Fico a pensar se, quando sair do trem, sentirei nostalgia... Acredito que sim. Separar-me de alguns amigos com quem fiz a viagem, será doloroso. Mas agarro-me à esperança que, em algum momento, chegarei à estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram.
O que me fará feliz, será pensar que colaborei para que a sua bagagem crescesse e se tornasse valiosa.
Meu amigo e minha amiga, façamos com que a nossa estadia neste trem seja tranquila e que tenha valido a pena. Esforcemo-nos para que, quando chegue o momento de desembarcar, o nosso lugar vazio deixe saudades e umas lindas recordações para todos os que continuam a viagem.Para ti, que és parte do meu trem, desejo-te uma... Viagem Feliz !


Esse texto tem um significado muito especial para mim...principalmente no que diz respeito ao período em que trabalhei na Gerência Pedagógica na SMEC em Campos. Foram dois anos muito intensos.. tempo em que embarquei num trem de muitos desafios e conquistas. Foi um tempo em que convivi com pessoas especiais e que com suas essências ímpares me ajudaram a desenvolver cada vez mais meu profissionalismo. Na verdade, aprimorei a bagagem que adquiri no CENSA, mas descobri também um outro mundo na Rede Pública...Descobri que é possível melhorar a qualidade da educação para a população, que o professorado da Prefeitura é comprometido, busca a qualidade mesmo em meio a tantas dificuldades! Admiro cada professor que conversei, cada diretor com o qual trabalhei...são guerreiros e muito profissionais!É claro que existem exceções, em todos os lugares existem bons e maus profissionais, mas na grande maioria...todos procuravam acertar!


Aprendi muito...visitei muitas escolas...conheci de perto a realidade da minha cidade e dos alunos do município. No trem da minha vida... essa experiência macro vai ficar guardada para sempre.


Na SMEC pude criar projetos, sonhar e realizá-los! Mas tudo que realizamos se deve ao tipo de gestão e a equipe que formamos. É...descobri que liderança não consiste em ter um cargo, pois Secretário, diretor, gerente qualquer um pode ser, mas líder é aquele que sabe descobrir talentos e colocá-los em ação...líder é aquele que harmoniza as diferenças e influencia as pessoas a se unir em torno de um ideal. E isso Beth Landim fez na SMEC durante 2 anos!! Foi maravilhoso compartilhar de tantas conquistas na SMEC, e mesmo que algumas pessoas falem o contrário...muito foi feito pela educação do município!


Por isso, no meu trem vou guardar cada um que compartilhou do sonho de fazer uma educação melhor para Campos...agradeço a cada gerente (Ricardo, Anna Karina, Ana Celina, Josane, Vânia, Rose, Valéria, Cesar, Jussara, Conceição Campinho, Ana, Ignês, Nely, Ritinha, Juliana...todos), agradeço a cada coordenador setorial (Sissi, Ana Cristina, Patricia, Zilma, Moisés, Deka e tantos outros), a cada professor que participou das nossas capacitações, dos meus cursos, a cada diretor, a cada Orientador Pedagógico que com criticidade e vontade me ajudou a conhecer as necessidades das escolas!!!!


Quero agradecer em especial as pessoas que trabalharam ao meu lado, Ana, Daniela, Paula, Lilian, Sissi, Paty, Mayra, Cheila, Verônica que tornaram possível a concretização do PROASE (Programa de Assistência ao Sucesso Escolar), com este projeto resgatamos crianças que aos 13, 15, 16 anos ainda não sabiam ler e escrever. Foi uma grande conquista!


Pois é, no trem da minha vida...todas essas pessoas que fizeram a diferença...vão ficar guardados na minha bagagem...e que bagagem!


Agradeço em especial a Beth que me deu a oportunidade de sonhar, projetar e realizar e a Conceição, Jussara, Ana, Sissi e Patrícia por estar sempre comigo sonhando e realizando!


Em poucos anos com todas as limitações, formamos uma equipe de verdade, uma equipe que foi até o fim da gestão unida e concretizou a frase: um por todos e todos por um!


Agora...que já não estou mais na Smec...sigo na luta no micro...vou para uma escola municipal...vou ser OP e realizar um trabalho consciente, pois acredito que a mudança também ocorre a partir das bases!


Aos companheiros de trabalho desejo boa sorte em suas viagens, saibam que cada um escreveu mais um pedacinho da história da educação. Quanto a mim, sigo feliz, pois também fiz a minha parte, deixei meu legado...ou pelo menos deixei minha semente...espero que tenha alguém para regá-la...


Acredito que para a educação melhorar...não se pode apagar o que a outra gestão fez...deve-se dar continuidade àquilo que valeu, que trouxe benefícios, mas isso não depende mais de mim, mas daqueles que hoje são as lideranças na SMEC!!!


Torço no fundo do coração para que a nova gestão realize um bom trabalho, porque quem necessita de uma educação de qualidade são as crianças, essas que serão o futuro de nossa cidade!


Liliana Azevedo Nogueira

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fortalecer nossa identidade: Orgulho de ser Brasileiro...



Hoje estava pensando sobre o que postar... que assunto poderia servir de reflexão neste momento em que estamos vivendo. E alguém poderia se perguntar: que momento?


Vivemos numa correria sem fim e não temos tempo mais de perceber o que ocorre ao nosso redor.Parece um grande paradoxo: vivemos na era da globalização, do acesso livre e fácil às informações, mas estamos cada vez mais isolados, cada vez mais voltados para nós mesmos e nos esquecemos de que os acontecimentos mundiais, as catástrofes e crises nacionais e internacionais, os problemas de nosso país, nossa cidade, nosso bairro, nossa casa, independente de nossa vontade, repercutem em nossa vida pessoal.


Somos reflexo da sociedade em que vivemos e muitas vezes não nos damos conta disso, ou então fingimos não saber. E aí, quando temos a oportunidade de sair de nossa cidade, de nosso país ou até mesmo nos distanciarmos de nossa família percebemos que apesar de muitas semelhanças, somos diferentes, temos algo em nossa essência, em nossas atitudes que nos diferenciam dos nossos companheiros de trabalho, pois somos reflexo de nossas vivências e experiências conscientes e inconscientes.


Por isso, gostaria de refletir sobre o nosso sentimento de ser brasileiro!Na maioria das vezes, só nos damos conta do quanto nosso povo, nosso país é especial quando saimos daqui!


Outro dia recebi um email escrito por uma holandesa sobre o Brasil e gostaria de transcrevê-lo neste espaço para gerar uma reflexão sobre a nossa IDENTIDADE. SERÁ QUE A CONHECEMOS?


Alguém já disse: "só se ama aquilo que se conhece"...talvez precisamos conhecer mais nosso país, suas conquistas para só assim resgatar em nosso interior o orgulho de ser brasileiro.


"Os brasileiros acham que o mundo todo presta menos o Brasil.E realmente parece que é um vício falar mal do Brasil.


Todo lugar tem seus pontos positivos e negativos, mas no exterior eles maximizam os positivos, enquanto que no Brasil se maximizam os negativos.


O Brasil tem uma língua que apesar de não se parecer quase nada com a língua portuguesa é chamada de língua portuguesa, enquanto que as empresas de software a chamam de português brasileiro, porque não conseguem se comunicar com os seus usuários brasileiros através da língua portuguesa. Os brasileiros são vítimas de vários crimes contra sua pátria, crenças, cultura, língua, etc... Os brasileiros mais esclarecidos sabem que têm muitas razões para resgatar as raízes culturais.


Então vejamos alguns dados da Antropos Consulting sobre nosso país:

1.O Brasil é o país que tem tido maior sucesso no combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis, e vem sendo exemplo mundial.

2.O Brasil é o único país do hemisfério sul que está participando do Projeto Genoma.

3.Numa pesquisa envolvendo 50 cidades de diversos países, a cidade do Rio de Janeiro foi considerada a mais solidária.

4.Nas eleições de 2000, o sistema do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estava informatizado em todas as regiões do Brasil, com resultados em menos de 24 horas depois do início das apurações. O modelo chamou a atenção de uma das maiores potências mundiais: os Estados Unidos, onde a apuração dos votos teve que ser refeita várias vezes, atrasando o resultado e colocando em xeque a credibilidade do processo.

5.Mesmo sendo um país em desenvolvimento, os internautasbrasileiros representam uma fatia de 40% do mercado na América Latina.

6.No Brasil há quatorze fábricas de veículos instaladas e outras quatro se instalando, enquanto alguns países vizinhos não possuem nenhuma.

7.Das crianças e adolescentes entre sete e quatorze anos, 97.3% estão estudando.

8.O mercado de telefones celulares do Brasil é o segundo do mundo, com 650 mil novas habilitações a cada mês.

9.Na telefonia fixa, o país ocupa a quinta posição em número de linhas instaladas.


10.Das empresas brasileiras, 6.890 possuem certificado de qualidade ISO 9000, maior número entre os países em desenvolvimento. No México, são apenas 300 empresas e 265 na Argentina.


11.O Brasil é o segundo maior mercado de jatos e helicópteros executivos."

Diante destes dados, questiono:

Por que não se orgulhar em dizer que o mercado editorial de livros brasileiro é maior do que o da Itália, com mais de cinqüenta mil títulos novos a cada ano?

Que o Brasil tem o mais moderno sistema bancário do planeta?

Que as agências brasileiras de publicidade ganham os melhores e maiores prêmios mundiais?

Por que não se fala que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo e que mais de 70% dos brasileiros, pobres e ricos, dedicam considerável parte de seu tempo em trabalhos voluntários?

Por que não dizer que o Brasil é hoje a terceira maior democracia do mundo?

Que apesar de todas as mazelas, o Congresso está punindo seus próprios membros, o que raramente ocorre em outros países ditos civilizados? Já caçaram até um Presidente.

Por que não lembrar que o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, que se esforça para falar a língua dos turistas, gesticula e não mede esforçospara atendê-los bem?

Por que não se orgulhar de ser um povo que faz piada da própria desgraça e que enfrenta os desgostos sambando. É!

O Brasil é um país abençoado de fato.
Bendito este povo, que possui a magia de unir todas as raças, de todos os credos.Bendito este povo, que sabe entender todos os sotaques.Bendito este povo, que oferece todos os tipos de climas para contentar toda gente.
Por que o brasileiro tem a mania de só ser nacionalista e patriota durante a Copa do Mundo?Se fosse assim todos os dias, vibrador como é durante a Copa, talvez hoje o Brasil seria uma super potência.
Bendita seja, querida pátria chamada Brasil!
Pare e pense: além disso tudo que foi citado, quantas outras coisas mais você admira neste Brasil, agraciado com uma natureza fantástica e que tem um povo de fé?
Reflite sobre o nosso país... com essa atitude talvez não consigamos mudar o modo de pensar de cada brasileiro, mas ao ler estas palavras todos irão, pelo menos por alguns momentos, refletir e sentir orgulho de ser BRASILEIRO!!!

Eu me orgulho muito de ser BRASILEIRA E VOCÊ?
Liliana A. Nogueira

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Pedagogia Hospitalar: construir pontes entre saúde e educação







A educação vem sofrendo mudanças em seu conceito, pois deixa de ser restrita ao processo ensino-aprendizagem em espaços escolares formais e transcende os muros da escola, se estendendo para diferentes e novos âmbitos como: ONGs, hospitais e empresas.
Esta realidade desmistifica o pré-conceito e a idéia de que o pedagogo está apenas apto para exercer suas funções na sala de aula, quando na verdade, todo o local onde há uma prática educativa, torna-se um espaço de atuação para o profissional da educação.
A partir da reformulação dos cursos de Pedagogia (CNE/2006), a vida escolar e a educação formal deixam de ser o único campo da prática educativa.
O Pedagogo ganha novo espaço: tudo que concerne à educação passa a ser o seu novo areópago (da pedagogia). A função do pedagogo torna-se abrangente. Educação formal e não formal passam a caminhar paralelamente. Urge agregar ao ensino formal, ministrado nas escolas, conteúdos da educação não-formal: responsabilidade social, gestão empresarial, liderança e o terceiro setor. Tudo que diz respeito à educação é objeto da Pedagogia.
A Pedagogia Hospitalar como uma nova vertente para a educação oferece subsídios educacionais e pedagógicos ao enfermo para ajudá-lo em sua recuperação, pois, carinho, calor humano, atenção e afeto constituem elementos fundamentais para a saúde, física, espiritual e cognitiva.
Dessa forma, o Curso de Pedagogia do ISECENSA buscou em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Campos e com o Hospital Ferreira Machado implantar o atendimento pedagógico-hospitalar em um hospital do município de Campos dos Goytacazes - RJ, formulando propostas e aprofundando conhecimentos teóricos e metodológicos, com vistas a, efetivamente, dar continuidade ao processo de desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças e jovens hospitalizados.
O trabalho realizado pela Pedagoga cedida pela SMEC e os estagiários do Curso de Pedagogia do ISECENSA visa criar um elo entre a escola e o hospital proporcionando ao educando (enfermo) a continuidade de seus estudos, mesmo estando hospitalizado. Mediante a educação no hospital as (os) crianças/jovens hospitalizadas (os) mantêm o contato com a leitura, a escrita, matemática através dos cadernos, dos livros infantis e didáticos, das brincadeiras, da afetividade e, o mais importante, mantendo o contato familiar e escolar e sentindo-se integradas à sociedade.
Em maio de 2007 o projeto iniciou-se na enfermaria pediátrica do Hospital Ferreira Machado com a participação de uma Pedagoga da Secretaria Municipal de Educação e dos estagiários do 8° período de Pedagogia dos Institutos Superiores de Ensino do CENSA - RJ, que atendem diariamente crianças internadas com patologias relacionadas a osteomielite, queimaduras, anemia, apêndice, acidentes (atropelamentos) e entre outras.
O projeto Pedagogia Hospitalar: aprendizagem como sinal de saúde ocorrreu entre maio de 2007 e ao longo de todo o ano de 2008. Em 1 ano e 9 meses o projeto atendeu em média 320 crianças que receberam o acompanhamento pedagógico-hospitalar; as atividades propostas aos alunos-pacientes estão relacionadas ao nível cognitivo e de escolarização em que se encontram.
Este trabalho fundamenta-se na Resolução Nº 2/2001 – CNE – que institui diretrizes nacionais para a Educação Especial na Educação Básica no Art. 13. Esta regulamenta a ação integrada com os sistemas de saúde, para o atendimento educacional especializado aos alunos em período de internação.
Podemos também destacar autores que norteiam nosso trabalho: Matos (2003), Mugiatti (2006) e Fonseca (2003) que enfatizam o atendimento pedagógico-hospitalar como uma ação humanizadora que oportuniza aos alunos internados acompanharem o processo de aprendizagem sem bloqueios ou atrasos.
Vale ressaltar que todas as atividades realizadas no projeto estão relacionadas ao nível cognitivo e o grau de escolarização em que a -aciente se encontra.
No Hospital Ferreira Machado - Campos dos Goytacazes/RJ, tomado como objeto de nosso trabalho - as internações são diárias na pediatria, ambiente que possui além dos leitos, uma sala de aula organizada para atender crianças na faixa etária de 2 aos 12 anos, independente do tempo de internação. Essa sala antigamente funcionava apenas como sala de recreação, local onde as crianças faziam atividades lúdicas e artísticas sem uma preocupação com a dimensão pedagógica e de aprendizagem formal.
Com o início do , já idealizado pela equipe de Serviço Social do Hospital Ferreira Machado, a sala passou a funcionar como “classe hospitalar” com diretrizes pedagógicas que norteiam as atividades das crianças e das estagiárias do curso de Pedagogia do ISECENSA, levando em conta a faixa etária, o nível cognitivo, a patologia e o ano de escolaridade em que se encontram as crianças.
A prática do pedagogo se dá através das variadas atividades lúdicas e recreativas como a arte de contar histórias, brincadeiras, jogos, dramatização, desenhos e pinturas, a continuação dos estudos no hospital.
Essas práticas contribuem para a adaptação, motivação e recuperação do paciente, ocupa seu tempo livre proporcionando-lhe um ambiente físico, emocional e pedagógico saudável e enriquecedor.
Ao deixar de pensar na doença, a criança envolve-se nas atividades, sente-se feliz e produtiva, cria expectativas para o futuro e para a volta ao convívio familiar e social.
O atendimento hospitalar é disponibilizado para todas as crianças que estão internadas, desde que estejam liberados a freqüentar a nosso espaço.Para aqueles que não podem se locomover, o atendimento é feito no próprio leito com o auxílio das estagiárias do ISECENSA, Instituição responsável pela autoria e implementação do projeto.
A presença das estagiárias vem auxiliando todo o trabalho educativo no hospital, visto que em muitas situações as crianças não podem ir à sala de recreação, devido à patologia existente. Já passaram pelo estágio no Hospital Ferreira Machado no período de maio de 2007 a novembro de 2008 cerca de 50 estagiárias do 8º. Período do Curso de Pedagogia do ISECENSA.
As crianças que não podem sair dos leitos são atendidas pelas estagiárias nos leitos, tendo acesso a livros didáticos, atividades, jogos pedagógicos de acordo com o nível cognitivo.
Nosso trabalho proporciona experiências que alimentam e facilitam o desenvolvimento da criança, por isso levamos em consideração o sistema intelectual que a criança utiliza no momento da atividade. Todo aluno que freqüenta a classe hospitalar possui uma ficha com dados pessoais, escola de origem e patologia. A cada final da aula são registradas as atividades trabalhadas e algumas observações quando necessárias, sobre o desenvolvimento cognitivo e lingüístico dos pacientes.
Alunos que apresentam troca de fonemas, dificuldades em leitura, escrita e quanto à estrutura da linguagem recebem um tratamento individualizado e os seus dados são registrados em fichas de observação.
Quando o tempo de internação excede três dias ou mais, é solicitado aos pais que tragam da escola de origem as atividades realizadas no período de internação, a fim de que possamos dar continuidade aos conteúdos que fazem parte do currículo escolar. Em alguns casos, o contato é feito diretamente entre o pedagogo e a escola de origem.
O atendimento é direcionado e individualizado, de acordo com as necessidades de cada paciente. No Hospital Ferreira Machado atuamos junto a uma equipe multidisciplinar que é composta por assistente social, psicólogo, terapeuta ocupacional, recreadora e fisioterapeuta que acompanha a evolução do quadro do paciente, criando, quando preciso, estratégias para gerar o avanço afetivo, físico, social e cognitivo da criança.
O pedagogo hospitalar necessita de uma formação diferenciada que desenvolva suas habilidades e competências relacionais e únicas, tornando-se capaz de realizar um trabalho emocional diferenciado junto com o doente já emocionalmente afetado e fisicamente debilitado.
A realização do nosso projeto tem trazido benefícios a todos os envolvidos, principalmente às crianças enfermas e aos estagiários do Curso de Pedagogia. Esta é mais uma oportunidade da articulação teoria-prática, possibilitando ampliação das habilidades e competências para enfrentar as demandas do mercado de trabalho.
Liliana Azevedo Nogueira
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CARDOSO, Clodoaldo Meneguello. Uma visão holística da educação. São Paulo: Summus, 1995.
FONSECA, Eneida Simões da. Atendimento escolar no ambiente hospitalar. São Paulo: MEMNON, 2003.
MATOS, E. L. M.; MUGIATTI, M. M. T. F. Pedagogia Hospitalar. Curitiba: Ed. Champagnat, 2001.








Ser educador...construir pontes


A sociedade atual apresenta um ritmo acelerado e uma crescente onda de conflitos deixando as pessoas cada vez mais inseguras, isoladas e individualistas. É neste âmbito que o papel do educador se torna cada vez mais importante, tendo como tarefa principal resgatar o elo de ligação entre as pessoas. Sob este assunto cabe-nos relatar uma parábola sobre as pontes...
Pela ponte passam pessoas boas, como também ladrões, assassinos, gente perversa e louca. A todos a ponte permite atravessar, sem pedir nada em troca, sem selecionar. Há quem reclame “que ponte ruim, que ponte mal feita, difícil de passar”, vão reclamando, batendo os pés, dando chutes, e pode haver até aqueles que queiram destruir a ponte. Poucos atravessam com gratidão dizendo "Obrigada" ou "Graças a você pude atravessar". Seja qual for a maneira que atravessem, a todos a ponte permite passar sem fazer discriminação.
Certo dia ocorreu-me que ser educador é ser ponte, mas também penso que ser apenas uma ponte não é suficiente no mundo atual... como educadores precisamos fazer com que os nossos alunos percebam a Outra Margem, e para isso é necessário atravessá-la.Talvez sejam muitos os que não saibam que há uma Outra Margem. É preciso despertar neles o desejo de alcançá-la. Se querem sucesso precisamos fazê-los vislumbrá-lo e assim incentivá-los a fazer a travessia, se querem relacionamento, fazê-los ir busca do mesmo, até perceberem que a travessia da ponte faz parte do universo maravilhoso que é viver. Para isso é preciso ter sabedoria, olhar mais longe com o coração e a razão articuladas, ser capaz de se despir do hábito monástico, sujar as mãos com a terra, estar entre todos, chorar, rir juntos, até fazê-los perceber o Verdadeiro Caminho e puxá-los para o outro lado da ponte.
A metáfora do educador como ponte, nos remete a pensar sobre o verdadeiro sentido da educação, pois esta é um processo que acontece a longo prazo e na qual precisamos trabalhar muito para tempos depois admirarmos a beleza da obra. Basta pensar que para construir um muro não precisamos de muito tempo, nem de muito conhecimento técnico, mas para construir uma ponte precisamos estudar detadalhadamente a situação e geralmente demora mais do que o tempo de construção de um muro. Um muro pode ser construido a partir de uma palavra, um ato não pensado ou outras coisas pequenas, que podem magoar uma outra pessoa. Todavia uma ponte demora mais tempo, é mais difícil, trabalhosa! A mesma gera a união, muito melhor do que a divisão trazida pelos muros.Assim é o ato de educar!
Nesta perspectiva, enquanto educadores é fundamental respeitar o processo de cada ser, pois desconhecemos o propósito e a programação de cada jornada, mas isto não nos impede de dizer que “para se chegar ao autoconhecimento é preciso atravessar a ponte do conhecimento e seguir em frente!” Ser educador é ser caminho, é ser ponte, porque se as pontes existem é porque existe um propósito, um ideal que se concretiza quando atravessamos e alcançamos o outro lado.
Aí está o papel do educador-ponte ajudar o homem a desenvolver a si mesmo, a moldar sua ação e erigir seu edifício intelecto-moral. O educador-ponte transpira saber e deixa ao aprendiz o papel de escolher, traçar e construir a sua própria trajetória na travessia da ponte. É na modéstia do seu propósito que o educador tem a nobreza da sua missão.
Amigo educador, ensinar é uma arte particular, que exige vocações muito particulares; exige qualidades morais que não são dadas a todos os homens, tais como sabedoria, firmeza, paciência, vontade e força para dominar as próprias paixões; exige profundo conhecimento do coração e da psicologia do ser humano, além do conhecimento dos meios mais apropriados para desenvolver no aluno as faculdades físicas, intelectuais e morais necessárias ao seu crescimento. A educação é uma arte que precisa ser estudada, do que resulta que o professor é, ele próprio, um eterno aprendiz.
Ser um educador-ponte é ensinar aos seus alunos a quebrar as barreiras que prendem o coração
.É inspirar forças para recomeçar e seguir o caminho escolhido. É ajudar a enfrentar o medo e crescer através do já vivido. É suscitar o sonho de um mundo novo apesar do já sofrido. É oportunizar o vôo ao encontro do outro. É ensinar a ser livre e deixar ser livre... É encorajar a invocar a essência interior, e aprender a ser como fênix que renasce das cinzas.
Caminhando pela vida, olhando a paisagem que nos cerca, descobrimos que tivemos e temos educadores que são pontes maravilhosas, consistentes e que nos inspiram a ser pontes também. Entre eles, podemos destacar Jesus que em certa ocasião disse “Vinde a mim vós que estais cansados e sobrecarregados e Eu vos aliviarei”. Que ponte magnífica! Quem se dirigiria assim aos que, na escala social, eram quase semelhantes a zero? Só Jesus. Pois sabia que – através da ponte do seu amor – poderia lhes assegurar um novo destino, um novo horizonte de vida. Sejamos como Jesus, educadores que têm a capacidade para se aproximar de outras e regar com seu amor as dores e amarguras das existências alheias. Caro amigo educador, companheiro de viagem, caçador de si, temos que oportunizar aos nossos alunos e a nós mesmos a fazer cotidianamente a travessia. Por isso, nunca desista ... seja ponte sempre encorajando os outros a vencer o medo do desconhecido!

domingo, 12 de outubro de 2008

Uma homenagem aos professores...

“Todo mundo tem um professor ou professora inesquecível...alguém que marcou profundamente a nossa caminhada e que em muitos momentos nos inspira, através de lembranças, em nossa trajetória profissional e pessoal.” Pare e pense... quem foi um mestre inesquecível para você? Seu professor de matemática? Sua professora de Didática? Sua professora de Filosofia? Sua alfabetizadora?Pense no que cada um deles fez para tornar-se um Professor Inesquecível!?
Ao refletirmos sobre a essência daqueles mestres que marcaram nossa trajetória de estudante constatamos que um professor inesquecível é aquele que reflete profundamente sobre as expectativas que os alunos têm em relação a vida presente e futura. Ao pensar nos professores inesquecíveis que tivemos, podemos destacar características peculiares como a capacidade de cultivar os sonhos dos alunos, motivando-os e fazendo-os perceber o quanto eram capazes de aprender; a capacidade de aproximar a teoria da prática; de estar sempre buscando novos conhecimentos e sobretudo a consciência de que não era o “dono do saber” e, por isso, valorizava a participação, o diálogo entre os alunos; estimulando-os a caminharem sozinhos, com passos firmes e seguros.
Ao longo de nossa história percebemos que aquele nosso professor inesquecível era alguém que como qualquer pessoa possuia medos, sonhos, dúvidas, inseguranças, no entanto se diferenciava dos demais, simplesmente porque era alguém predisposto a aprender, capaz de fazer seus alunos refletirem sobre seus comportamentos e a realidade que os cercava. Alguém que ao invés de ensinar respostas ensinava perguntas, provocando os alunos a investigarem, pesquisarem e tornarem pensadores e não meros repetidores do que outras gerações já tenham feito.
Assim, quando me propus a escrever sobre ser um professor inesquecível fiz uma maravilhosa viagem no tempo. Revivi momentos agradáveis e dentro do meu íntimo constatei o quanto cada um, na sua especificidade contribuiu para suscitar a minha paixão que no dia-a-dia do exercício da profissão docente se transformou num grandíssimo amor à educação!
É inegável que exercer o magistério causa um certo fascínio, pois supõe a capacidade de influenciar as pessoas a ver, ouvir, sentir a beleza da vida e sobretudo plantar a semente de mudança para um mundo melhor! È por isso, que hoje escrevo para todos os meus professores de ontem, de hoje e de amanhã a fim de lembrá-los de que a profissão docente é a base que sustenta toda sociedade, pois todas as profissões se fazem e se constituem a partir dela.
“PROFESSOR”, não existe profissão mais linda e gratificante que essa. Escolher uma profissão, onde a pessoa passa boa parte de sua vida semeando conhecimento, fazendo florescer nas pessoas o desejo de aprender e colher frutos desse plantio é realmente uma dádiva.Sabemos que não é simples o exercício do magistério. Tornar-se um professor inesquecível exige não apenas a competência, mas um treinamento diário de superação de desafios.
O exercício dessa profissão é árdua e exaustiva; os percalços do dia a dia da sala de aula são constantes; o professor tem que educar, transmitir conhecimento, estar aberto ao novo, mediar conflitos, trabalhar o conhecimento de forma não fragmentada, ter conhecimento pleno sobre a evolução do processo cognitivo de seu aluno e outros. No entanto, alguns desses passam anos e anos em sala de aula, e nunca se tornarão um professor inesquecível. Sabem por quê?
Porque ser professor é não ser meramente um transmissor de conteúdos programáticos, e sim um formador de seres humanos que farão diferença no mundo conforme escreveu o célebre Augusto Cury. Hoje o estudante de qualquer faixa etária tem inúmeros recursos didáticos que vão dos livros à internet, porém nada substitui a presença do professor, ser humano, repleto de amorosidade que oportuniza o acesso ao conhecimento e desperta em seu aluno o desejo de aprender.
Por isso, sugiro aos alunos que não deixem de valorizar, elogiar e compartilhar com seus mestres esses momentos inesquecíveis, porque o tempo passa e deixa muitas saudades. E as saudades deixadas reforçam a música que diz: “a saudade é uma forma de ficar”, são as saudades, as lembranças e os ensinamentos que eternizam os mestres dentro de cada um de nós.
Um mestre inesquecível, nunca morre, se eterniza em seus alunos e se faz presente, vivo nas ações e pensamentos destes, pois o legado de um professor não são indústrias, contas bancárias recheadas, terras, imóveis ou empresas em geral. Seu legado a traça não pode comer. Seu legado ultrapassa, muitas vezes, os séculos. O sonho de um professor é ter seu nome lembrado por suas idéias e ensinamentos muito tempo depois de ter deixado de viver. Sócrates não deixou nada escrito. Só ensinou. Graças a Platão, seu aluno dileto, ficou conhecido e é até hoje estudado. Esse é o sonho maior de um verdadeiro mestre - ser eternamente lembrado através de seus alunos.
Hoje, mesmo sendo professores...continuamos a exercer também o lugar de alunos, pois somos aprendentes e herdeiros dos nossos mestres. Não somos herdeiros de bens materiais, mas herdeiros de aprendizagem, de conhecimento e cultura. Essas são heranças verdadeiras; são os únicos legados que temos a certeza que, ao adquirirmos, passam a ser exclusividade nossa.
Assim, professor, você pode orgulhar-se de sua profissão sem receio, pois você tem o segredo desse cofre e, ao abri-lo pode distribuir sua riqueza, esses bens aos seus alunos! Como não sentir orgulho deste oficio!Orgulhem-se, e reflitam para que façam educação com prazer, sem excluir, acolhendo e oportunizando e lembrando sempre que já foram e continuarão sempre alunos também, uma vez que o verdadeiro “PROFESSOR” é aquele não age como o dono da verdade absoluta, mas aquele que busca conhecer a si próprio para ajudar seu aluno a chegar ao conhecimento e não enxergar no outro o que na verdade está muitas vezes em si.
Educadores busquem ser inesquecíveis, pois o ofício docente supõe semear com sabedoria e colher com paciência. É ser um garimpeiro que procura os tesouros do coração, vendo o que ninguém vê, enxergando um tesouro soterrado entre as flores e pedras do coração dos nossos alunos. Devemos ainda lembrar que cada criança e jovem é um ser único no teatro da vida. Por trás de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, há um ser que precisa de afeto, paciência, diálogo. Esse é o segredo, a educação do afeto que humaniza e que cura as feridas da alma e que ajuda a reescrever as páginas fechadas do inconsciente. Essa é a essência do professor inesquecível: educar para a vida, ensinando aos alunos a extraírem de cada lágrima uma lição de esperança e persistência!
Entretanto, cada professor sabe que os sucessos na educação derivam de muito esforço, preparação, estudo constante e, sobretudo, da necessária parceria com nossos estudantes. Mas vale a pena, quando somos orgulhosos e conscientes de nossa tarefa. E isso se concretiza, quando nos damos conta de que a educação está em tudo, está dentro de cada um de nós, porque de repente sem nos darmos conta, vemos a educação nos filmes que assistimos, nos livros que lemos nas músicas que escutamos, no movimento das marés, na luz do sol, no brilho das estrelas e nos olhos de nossos alunos que nos pedem silenciosamente que façamos algo pela escola para torná-la mais e mais sedutora, interessante e inteligente.
Sou educadora com muito orgulho, porque acredito que a única forma de superar os desmazelos da vida cotidiana, recheada de escândalos e problemas (corrupção, violência, desestruturação familiar, drogas,...), passa pela criação de possibilidades melhores para o amanhã das pessoas. E o melhor caminho para a efetivação dessa vida com perspectivas de crescimento e progresso passa necessariamente pela escola, por nossas salas de aula, pelo nosso trabalho...É isso tudo que me faz sentir que trabalho na profissão mais importante que existe e que me deixa sempre com um sorriso no rosto quando afirmo que sou, com orgulho, um professor...
Amigos professores tenham a certeza de que, sem vocês, a sociedade não tem horizonte, nossas noites não têm estrelas, nossa alma não tem saúde, nossa emoção não tem alegria. O mundo pode não nos aplaudir, mas o conhecimento mais lúcido da ciência tem de reconhecer que nós somos os profissionais mais importantes da sociedade.
Por essa razão, a cada professora e a cada professor que fez parte da minha educação e comigo comunga do ideal de educar desejo vida longa, muita esperança, muita condição de luta e muita vontade de realizar a sua tarefa. Não escrevo para heróis e heroínas fictícios, mas para pessoas reais que sabem que educar é realizar a mais bela e complexa arte da inteligência.
Educar é acreditar na vida e ter esperança no futuro!!Assim, finalizo esse artigo agradecendo a todos os educadores que com profissionalismo, competência e todo o amor fizeram e fazem a diferença na educação, plantando em nas mentes e corações dos jovens e crianças a semente da transformação da sociedade, não através da luta de poder exarcerbada, mas através da transformação por meio da amorosidade, da partilha e da paz!Essa deve ser a verdadeira arma de transformação da sociedade, usar a inteligência para cultivar a paz e o bem comum! Vocês são mestres da vida, sujeitos que usam, mas transcendem a lógica e operam no universo da emoção, não a emoção treatal, mas genuína, emoção que contagia, a partir do invisível (lembra-se daquele seu professor ou professora cujas atitudes marcaram sua vida?).
Dedico este texto a todos os professores que tive e tenho...mas especialmente a três professoras: minha mãe Eliane, Tia Edna (minha alfabetizadora) que me iniciou no mundo das letras e a Irmã Luzia (minha sempre mestra) que despertou em meu coração e na minha mente a paixão e o amor terno pela EDUCAÇÃO!!!!
Dedico também a todas as minhas alunas e ex.alunas do Curso Normal Médio do CENSA e do Curso de Pedagogia do ISECENSA que comigo compartilham o sonho de fazer uma educação de qualidade e com a “cabeça bem feita” e apesar de tantas lutas concretizam esse sonho em sua realidade de sala de aula!
Feliz Dia dos Professores!!!!
Liliana Azevedo Nogueira

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Vencer o mal com o bem!


Que bom seria se pudéssemos congelar as guerras, interromper os vôos das balas (projéteis) e evitar as agressões fisicas e verbais antes que elas tocassem os corações das pessoas. Que bom seria se as guerras terminassem como naquela história infantil escrita por Maurice Druon, na qual Tistu “O menino do dedo verde”, tinha a capacidade de apenas com um toque transformar enormes canhões em máquinas lançadoras de flores. Que bom seria se pudéssemos realmente colocar em prática as lições de grandes personalidades como Ghandi, Jonh Lenon, Paulo de Tarso, João Paulo II, Teresa de Calcutá e Ingrid Bittencourt. Pessoas que lutaram por um mundo melhor, fazendo a sua parte através de gestos de fé, coragem, solidariedade, amorosidade e esperança.

Ao conhecer a história desses homens e mulheres algo é muito comum: a perseverança silenciosa pela paz e um ideal de vida voltado para o bem do próximo. Cada um deles nos ensina que através de nossas atitudes diárias podemos contribuir para um mundo melhor. E que cada gesto mais humano e menos egoísta que praticarmos no dia-a-dia poderá gerar ações e atitudes semelhantes, multiplicando a paz e o amor nos corações humanos.

Em uma de suas últimas pregações João Paulo II deixou uma mensagem que pode ser assumida ao mesmo tempo por todas as religiões e por todos os homens que desejam fazer uma diferença na luta pela construção da paz: vencer o mal com o bem. Mas que reflexão deve brotar dessa expressão?

Devemos refletir que diante do mal feito aos nossos semelhantes, que diante mesmo do mal feito a nós, não podemos acrescentar mais mal, mais agressão, mais violência. Não podemos nos vingar sob pena de fazer crescer essa mortal espiral que parece que nunca se acabará.

Por isso é fundamental entendermos que o caminho da Paz proposto por João Paulo II fundamenta-se numa atitude de mansidão e de perseverança. Assim, também devemos enquanto sujeitos, autores de paz nos inspirarmos nas palavras do iluminado e apaixonado Paulo de Tarso que dizia: "Não te deixes vencer pelo mal. Vence antes o mal com o bem".

Neste tempo em que vivemos rodeados pela luta de poder a qualquer custo, em que gestos de carinho e atenção são trocados por dinheiro, em que o ser humano deixa-se levar pela lei do Gerson, da troca e do suborno, precisamos lutar pela prática do bem. Só há uma atitude capaz de quebrar a espiral diabólica do poder , da violência e do mal: o amor e o bem praticados em favor de todos.

Para conseguir o bem da paz é necessário afirmar, com consciente lucidez, que a guerra de poder é um mal inaceitável e que nunca resolve os problemas e as angústias humanas. Não fomos feitos para a morte que a violência moral e física gerada pelas desigualdades e discordâncias engendram, mas sim para a vida, para a solidariedade e para a construção de atitudes de amorosidade e respeito a dignidade humana! Portanto, agressões, difamações, violência, mentira, rancor e perseguição nunca são caminhos válidos nem justos, pois semeiam a destruição da dignidade humana. Com sua sabedoria que ultrapassava a todas, Jesus de Nazaré mudou a vida de Paulo de Tarso, transformando aquele violento homem, num grande profeta do cristianismo e da paz.

A experiência do amor do Pai inspirou Paulo de Tarso a escrever aos cristãos de Roma, que se debatiam com o sofrimento da perseguição e da violência: "Vencei o mal com o bem" . E depois de Paulo, muitos outros, cristãos ou não, marcaram a história da humanidade praticando esse princípio de diferentes maneiras.

Entre essas personalidades, cabe destacar a figura de Ingrid Bittencourt, que apesar de sua aparente saúde frágil, demonstra em seu olhar uma FORÇA sem dureza e uma CORAGEM sem violência, ensinando a todos que é possível defender um ideal de democracia, utilizando como armas fortes a inteligência, persistência, a serenidade, a esperança e a paz interior. A libertação dessa mulher nos deixa muitas lições, entre elas cabe destacar sua opção por serenamente erguer a bandeira da paz e pregar o amor.

João Paulo II, Paulo de Tarso, Ingrid Bittencourt, Gandhi, Jonh Lennon, Madre Tersa de Calcutá e tantos outros e outras, todos, em sua maneira de viver, de amar, de sofrer, de morrer, de agir nos provam que vencer o mal com o bem é o verdadeiro caminho para a paz. E mais: prova que, se é um caminho difícil, não é impossível nem desumano ou desumanizante. Lutar pela paz e pelo bem não é tarefa para os anjos, mas para cada um de nós, homens e mulheres de carne e osso, com sentimentos e desejos muito concretos.

Precisamos entender que o respeito e o crescimento da vida humana exigem a Paz . A Paz não é só a ausência da Guerra, nem se limita a manter o equilíbrio das forças contrárias. A Paz deve ser fruto da livre comunicação entre os homens, do respeito a dignidade das pessoas e dos povos e a prática assídua da fraternidade. Entretanto para se atingir a paz e vencer o mal no mundo teremos que estar em primeiro lugar, em paz com nós mesmos e no seio das nossas famílias, pois o convite a vencer o mal com o bem tem endereço certo: nós mesmos, todos e cada um de nós.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

O DESAFIO DE CONTINUAR ESCREVENDO A HISTÓRIA DO INSTITUTO DAS FILHAS DE MARIA AUXILIADORA – FMAs









O DESAFIO DE CONTINUAR ESCREVENDO A HISTÓRIA DO INSTITUTO DAS FILHAS DE MARIA AUXILIADORA – FMAs


Entre os dias 31/07 e 02/08 aconteceu no ISECENSA - Campos dos Goytacazes/RJ, o 1°. Seminário de Educadores das Instituições Superiores das Filhas de Maria Auxiliadora - IES/FMA do Brasil.
Foram três dias muito intensos, repletos de reencontros, partilha, debates e muita troca de experiência, reforçando os laços de família salesiana, que ultrapassa as distâncias físicas e une todos em torno de um único ideal: formar “bons cristãos e honestos cidadãos”.
A realização deste primeiro encontro certamente foi um marco na vida pessoal e profissional dos educadores universitários do Brasil participantes, pois pudemos sentir e rearfimar a mística e o carisma que nos congrega. Somos filhos de sonhadores, Giovanni Bosco e Maria Domingas Mazzarello e somos os responsáveis por dar continuidade a um ideal que começou a se concretizar no interior da Itália e vem se estendendo para todo o mundo.
Segundo Ir. Suraya Chaloub (diretora do ISECENSA – Campos dos Goytacazes/RJ), hoje são cerca de 40 Instituições de Educação Superior no mundo, disseminadas em vários continentes, em contínua expansão, comprometidas em assegurar uma presença FMA significativa, se constituindo um laboratório de autêntico humanismo cristão, capaz de conjugar ciência e vida, pesquisa científica e responsabilidade social.
A abertura do Seminário foi realizada pela Conselheira Geral das FMA, Madre Maria del Carmen Canales, que falou diretamente da Itália por meio de videoconferência. Madre Canales enfatizou que é fundamental que nós, enquanto educadores universitários internalizemos e compreendamos a alma da instituição salesiana, seus objetivos e sua maneira de interagir com o jovem. Acentuou ainda sobre a importância das instituições experimentarem as novas linguagens do mundo virtual, pois é esse o “oceano” onde o jovem está acostumado a navegar e para conquistá-lo precisamos conhecer seu mundo! Essa expressão da Madre Canales ilustra em outras palavras aquilo que Dom Bosco dizia no século XIX, não fazer como o jovem, mas fazer com ele. È essencial conhecer o mundo dos jovens para poder conquistar sua confiança e assim ter a oportunidade de interagir com ele ou intervir no momento adequado! Essa é a verdadeira educação preventiva que Dom Bosco sonhava.
O encontro também ofereceu muitos momentos reflexivos em que foram apresentados temas relevantes no cenário mundial, entre os quais podemos destacar: os fundamentos do Documento de Aparecida, as Linhas Orientadoras da Missão Educativa Salesiana, a Identidade Institucional, a Mística e Espiritualidade, Sustentabilidade, Sistemas de Comunicação e novas linguagens, Educação a Distância, a Declaração de Bolonha e a análise dos PPIs das ISS/FMAs. Posteriormente a cada iluminação realizávamos trabalhos em grupos, onde nós educadores leigos e Irmãs Salesianas tivemos a oportunidade de trocar idéias e relatar nossas experiências nos diversos âmbitos de atuação.
Todos os dias havia o momento dos plenários a fim de apresentarmos gradativamente as primeiras idéias para a elaboração do documento da Identidade Institucional das ISS/FMAs.
No sábado dia 02/08 elaboramos as propostas do documento a partir dos seguintes aspectos: Missão; Qualidade acadêmica, social, cultural e religiosa; Comunicação (interna e externa); Sustentabilidade (organizacional e atitudinal) e Formação dos educadores (salesianidade, profissionalismo, processualidade e comprometimento).
Entre os aspectos apresentados nos plenários cabe aqui destacar alguns, tais como: a construção de um projeto sistemático de formação contínua dos educadores, a fim de que possam conhecer e internalizar a pedagogia salesiana por meio do estudo da vida de Dom Bosco e Madre Mazzarello (contexto histórico, social, psicológico, cultural e científico da época); os projetos de responsabilidade social; a educação centrada na pessoa e na fé cristã, novas linguagens da comunicação e, sobretudo o diálogo entre as Instituições salesianas, gerando o intercâmbio de alunos e professores.
Ah... se as palavras pudessem expressar tudo o que foi vivido neste “pequeno- grande” encontro!!! C
omo ex. aluna e hoje como professora universitária foram momentos profundos de reencontro com Irmãs queridas já conhecidas e de criação de laços com novas Irmãs e com colegas leigos, companheiros de fé e de missão educativa salesiana.
Sentirei saudades de todas e todos... Mas sei que nos despedimos na certeza de nos reencontrarmos em Lorena-SP, cidade que sediará em 2009 o próximo seminário!
Queria agradecer às Irmãs que sonharam e realizaram esse encontro, senti no profundo do meu ser que a EQUIPEDE renasce, não com esse nome... Pois este já fez sua história! Porque como disse Irmã Lea Ramos, “Dom Bosco começou a escrever a história, escreveu muitos rascunhos e passou a limpo, agora está nas mãos das FMA e de nós leigos (longa manus das FMA) continuarmos a escrever esta história que não tem fim...pois se eterniza no legado deixado a cada Irmã e a nós e no legado que deixaremos para nossos alunos e filhos!
Afinal, Giovanni Bosco e Maria Mazzarello não morreram.Vivem em nós!!!!!!!!!!!!!
Irmãs e educadores, temos uma missão a realizar e uma história para continuar a escrever!!!!!!


Liliana Azevedo Nogueira