domingo, 26 de abril de 2009

Ética é preciso cultivá-la!



Vivemos um momento no País em que se acumulam indignações sobre as inegáveis derrapadas éticas cometidas por parlamentares, dirigentes públicos e líderes de diferentes segmentos da vida nacional. Ao mesmo tempo, imagina-se e procura-se construir uma Educação de mais qualidade e inúmeras ações são pensadas para diminuir as desigualdades sociais presentes no Brasil. Como compatibilizar o sonho com a realidade de corrupção e desvios de conduta?
“Não adianta nada”, diriam alguns, mais céticos, a corrupção e o fisiologismo seriam partes do que poderíamos chamar de “alma brasileira”. Assim, não só o sonho se mostraria impossível de ser concretizado, como, mais grave, outros que ocupassem os mesmos lugares de liderança tenderiam a fazer o mesmo. Pior, em alguns casos a indignação acaba levando a um cinismo paralisante e reprodutor das condutas questionadas: “se eu estivesse no lugar deles faria o mesmo” ou “se todos agem assim, por que não eu?”.
A ética é resultado de uma construção coletiva inconsciente, que estabelece o que é considerado aceitável nas relações entre o ser humano e seus contemporâneos, na preservação de sua história e na interação com as futuras gerações. Define regras gerais de comportamento para garantir paz nas interações que estabelecemos com os habitantes da comunidade em que vivemos seja ela um lugarejo ou todo o Planeta. Envolve também uma preocupação com o futuro, garantindo-se que não estragaremos as condições de vida dos que virão depois de nós. Mas, apesar de produto de uma evolução coletiva, a ética é e deve ser, sobretudo, algo internalizado. É um compromisso pessoal com o que se acredita correto. Envolve a noção de que somos responsáveis pelo nosso crescimento pessoal (auto-desenvolvimento) e, simultaneamente, a incorporação da percepção do outro na conduta cotidiana. Traz consigo a presença de um juiz interior muito mais poderoso e competente que fiscais ou investigadores, que surge de um projeto de autonomia e liberdade do ser humano.
Desvios de conduta do outro, neste caso, não pacificam ou tornam condescendente nosso juiz interno. Afinal, trata-se do meu projeto de vida. Se não me conduzo de forma que considero apropriada, pelos valores que tenho ou que internalizei, devo satisfações sérias ao meu projeto – devo me levantar e recomeçar. Esta visão de ética, assim, centrada na autonomia do ser humano, resgata a noção de que somos responsáveis por nossas vidas e por suas conseqüências no entorno: a vida que a gente quer depende do que a gente faz, nas belas palavras de Max Feffer.
Assisti uma vez, encantada, a belíssima apresentação de Felipe Gonzalez, ex- primeiro ministro da Espanha para um grupo de 30 pessoas em São Paulo. Na palestra, ele nos contou sobre como conduziu a modernização de seu país, relatando algumas conquistas e realizações que o orgulhavam. Mas, para minha surpresa (e, acredito, de todos) interrompeu aquilo que poderia ser visto como uma auto-promoção para dizer que algo havia saído muito errado. Não conseguira transformar a Educação na Espanha. Ora, pensei, a Educação na Espanha é de melhor qualidade que a nossa. Assim, o que poderia preocupá-lo? Na verdade, a escola espanhola produzia seres humanos que, ao sair da escola, imediatamente se perguntavam sobre o que o Estado ou a sociedade iria oferecer para eles. Formava, percebia o ex-dirigente espanhol, pessoas dependentes.
Não existe possibilidade de ética se as pessoas se percebem como não autônomas e, portanto, não responsáveis por seus atos e omissões. A base de uma interação social saudável é a existência de redes de pessoas livres – não só para construir suas vidas com dignidade-como para responder por suas escolhas. Assim, voltando à escola sonhada por Felipe Gonzalez, seria a que formasse cidadãos que se perguntam ao concluir os estudos: o que posso fazer agora por mim e pelos membros da minha comunidade?
Mas não parece contraditório dizer que temos que nos preocupar simultaneamente conosco e com o próximo? Esta aparente contradição é uma das mais belas da condição humana: só posso ser livre numa comunidade que busca construir a possibilidade da liberdade. Só posso ser responsável e, portanto, ético, se sou livre. Mas a pior das amarras, como denunciava Étienne de la Boétie em seu fantástico Discurso da Servidão Voluntária, escrito ainda no século XVI, é a que colocamos em nós mesmos. Nem sempre queremos ser livres e autônomos. Preferimos por vezes apenas denunciarmos a falta de ética dos outros e elegermos culpados por nossos problemas.

(texto de Cláudia Costin - vice-presidente da Fundação Victor Civita. Foi Ministra da Administração Federal e Reforma do Estado, secretária de cultura do Estado de São Paulo.)



A partir do texto de Cláudia Costin e dos estudos que vocês estão realizando na disciplina de formação Profissional VI e VII, responda:
Qual é a sua visão sobre a realidade de corrupção e desvio de conduta que observamos por parte das lideranças do nosso país e da nossa cidade? O que é ética para você? Como governante, o que você faria pela a educação?





domingo, 5 de abril de 2009

Ser gestor: desafios...


Diretor: articulador dos interesses e energias dos diversos grupos envolvidos com a escola

Já se tornou um lugar comum afirmar-se que a visão global ou sistêmica é essencial para qualquer dirigente. Mais ainda para o Diretor de Escola que deve ser uma instituição ativa, atenta às necessidades de aprendizagem da população a que serve e preocupada em situar essas necessidades em face dos objetivos e orientações que derivam das políticas educacionais estabelecidas.
O Diretor deve visualizar a escola dentro do contexto mais amplo da sua inserção na sociedade. Para isso, escola e comunidade —particularmente a comunidade de pais e alunos— precisa trabalhar conjuntamente, para garantir que o desenvolvimento da atividade educacional se dê de forma integrada às condições reais de existência daquele grupo particular de alunos, num processo contínuo de troca de experiências e desenvolvimento de expectativas.
Cada escola é uma escola; cada agrupamento de alunos traz as suas especificidades, como cada conjunto de professores, profissionais de direção e pessoal de apoio constitui-se em conjuntos particulares, que atuam e contribuem, de forma própria, para a dinâmica da escola.
Na teia das relações cotidianas entre esses diferentes sujeitos —alunos, professores, direção da escola, pessoal de apoio, pais, representantes da comunidade etc.— compete ao Diretor da unidade escolar coordenar as reelaborações dos valores, normas e procedimentos instituídos pelo arcabouço institucional vigente no sistema educacional, construindo uma realidade absolutamente particular, vivenciada, de maneira mais ou menos profunda, por todos, como a "minha escola".
Parte dos Diretores de Escola tem se mostrado desadaptada para atuar num ambiente mais participativo, subaproveitando as potencialidades da comunidade escolar em termos de idéias, contribuições materiais e intelectuais, geração de propostas mobilização para realização de projetos, entre outras.
Em uma estrutura descentralizada, o Diretor de Escola é um agente fundamental na articulação da equipe e dos recursos disponíveis, configurando um novo quadro de exigências a que ele deveria atender. Nesse modelo, o Diretor representa a figura central, cujo desempenho no cargo pode determinar a qualidade do serviço prestado pela escola. Dimensões nem sempre muito lembradas, desde características de personalidade, até as especificidades do ambiente externo, passando pela capacitação da equipe de trabalho, passam a ser prioritárias para o desempenho adequado do Diretor de Escola.
Mesmo num modelo centralizado, ele é o principal responsável pelo sucesso da escola, graças à sua capacidade e habilidade de mobilizar sua equipe, de se relacionar com a comunidade e de interagir com a SME.
O Diretor de Escola apresenta ainda uma característica resultante de sua trajetória —em grande parte, com origem na docência—, que configura a necessidade de uma readequação da postura em relação ao novo papel: como Diretor, o profissional passa a ser o responsável por uma unidade de prestação de serviço público em todos os seus aspectos. Espera-se que esteja muito mais comprometido com resultados, compartilhando a responsabilidade em relação à coisa pública, do que com seus relacionamentos anteriores como professor. Seu espectro decisório e, portanto, seu poder, passam a ter uma abrangência muito maior e, como contrapartida, sua responsabilidade e as conseqüências do que faz também passam a ser de maior importância.
É fundamental, portanto, nessa passagem, um processo de desenvolvimento profissional, garantindo-se a compreensão clara de seu novo papel de articulador de recursos de várias naturezas, visando ao alcance de determinados fins, com prazos e recursos limitados.

O Diretor de escola é um educador que administra e sempre deve perceber e fortalecer o significado educacional de seus atos e comunicações

Em termos genéricos, todo ocupante de cargo administrativo deve obter e alocar da melhor forma possível os recursos disponíveis. Para isso, deve atuar como um articulador dos meios ao seu alcance sejam internos ou externos a sua unidade.
Em primeiro lugar, compete a ele coordenar a construção de um ambiente de ensino-aprendizagem em que os componentes, principalmente os alunos, participem de experiências ou vivências socialmente desejáveis. Aprender a aprender é a ordem do dia, combinação de cidadania e competitividade são imprescindíveis. O significado mais profundo do que seja socialmente desejável depende do modelo de gestão escolar adotado. Acredita-se na escola pública como elemento de compensação de diferenças.
Se os recursos são escassos e o clima organizacional desfavorável, se são crescentes as exigências sobre a qualidade da escola e também crescentes as dificuldades da população atendida, não há solução ou não pode haver progresso sem que se catalisem todas as energias.
Mas, como construir um ambiente socialmente favorável, conquistar e fomentar o envolvimento de todos, principalmente, dos pais e da comunidade? O primeiro passo envolve transparência no relacionamento com ela. A escola deve fornecer informações sobre seus projetos e decisões a pais, alunos e funcionários. Em seguida, é importante que o Diretor reconheça que esse relacionamento começa com um bom relacionamento interno.
O trabalho em equipe deve ser valorizado e, todos, inclusive os funcionários operacionais, devem ser incentivados a discutir atividades educacionais e delas participar.
O Diretor também deve compreender que os problemas dos alunos se originam, muitas vezes, na família e se esforçar para estender sua função educativa também aos pais. Através de visitas às casas de alunos ou do envio de questionários aos pais, as escolas devem levantar informações sobre as famílias e sobre a comunidade.
O Diretor, ao mesmo tempo que procura demonstrar respeito a pais e alunos, não deixa de cobrar disciplina dos alunos e responsabilidade dos pais.
A liderança da direção da escola é fundamental para que as posturas descritas sejam desenvolvidas. Acima de tudo, os Diretores e a equipe escolar das unidades com boas práticas no relacionamento com a comunidade acreditam no direito da população a uma boa educação e não fogem da responsabilidade que lhes cabe. São pessoas com iniciativa, que procuram fazer o possível para que se ofereça à comunidade um ensino de qualidade, e que não capitulam diante das dificuldades do ensino público.
Projetos para a construção de uma sociedade justa exigem o fortalecimento da Escola Pública, que envolva real democratização, autonomia, valorização do professor e boa gestão; essas, por sua vez, estão inextricavelmente ligadas ao papel do Diretor. Cabe a esse profissional assumir, integralmente, o seu papel.

Trecho do texto de Hélio Janny Teixeira XI Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Ciudad de Guatemala, 7 - 10 Nov. 2006 Documento Libre.

Após a leitura deste texto:


a)Faça um comentário sobre os desafios (mínimo 5) que os gestores enfrentam na sua realidade escolar.


b) Peça a um gestor que você conheça para que leia o texto deste blog e faça um comentário destacando os desafios de sua vivência na gestão(o gestor deverá colocar apenas o nome da instituição a que está a frente e há quantos anos a gerencia).





O desafio de vencer profissionalmente...

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O sonho de todo profissional é ser famoso, conquistar o mundo, ter uma carta de contatos invejável e ainda por cima ganhar algum dinheiro. É! talvez este vislumbramento seja mais uma fase inicial, quando alguém possa a vir decidir se tornar um profissional da informação. Na realidade, este conto de fadas na prática sempre foi irreal…

Toda profissão deve ser encarada como um casamento…Tem seus altos e baixos , crises constantes, mas deve ser daqueles amores que duram a vida inteira, senão poderá estar fadada ao desgosto e ao insucesso. O primordial é a persistência…alguma dose de magia e jamais…faltar criatividade… esta é fundamental pra apimentar a rotina dura e dificil de todo profissional da Era da Informação.

Existe um filme (embora tenha recebido muitas críticas) que me chamou a atenção: O diabo veste Prada. No filme o “Diabo veste Prada”, há uma revelação de como funciona e se organiza os bastidores da moda. O longa retrata a realidade em que estamos inseridos: o ter é mais importante do que o ser, e a moda é um grande exemplo disso.

As roupas são símbolos que não só tem finalidades estéticas, mas também representam uma interpretação própria de cada ser humano da realidade, o que uma pessoa transmite à sociedade. Deste modo, quando Andréa se apresenta na entrevista de emprego ela é taxada como a pessoa menos indicada a preencher tal cargo, devido ao seu modo simples de se vestir. Ao passar da trama a jovem jornalista percebe que o seu vestuário interfere nas relações sociais que possui dentro da empresa, e aos olhos de sua diabólica chefa, e por isso transforma completamente a sua aparência.

Ao se enquadrar no mundo fashion, Andrea modifica os seus valores e a sua perspectiva, ela acredita que era somente necessário cumprir os caprichos de sua chefa e esquecer de seus sonhos. O emprego transforma completamente a sua vida, interferindo nas suas relações pessoais e no seu caráter. Simbolicamente os sapatos de salto, utilizados pela personagem após a sua transformação, representa o desejo de feminilidade e o bico fino sugere a dominação no ambiente de trabalho.

A Ética e os princípios são esquecidos neste ambiente, devido ao desejo incessante do reconhecimento profissional. Um exemplo disso é quando Andrea vai para Paris acompanhando sua chefa, no lugar de sua colega de trabalho, que aspirava à ida ao evento de moda. Quando a jovem se da conta de que não pertence a aquela realidade de glamour e luxo, ela volta aos seus antigos desejos em busca de seus sonhos.

O filme revela também do que as pessoas são capazes de fazer para se enquadrar no padrão estereotipado de beleza e à competitiva relação de trabalho. A sede da revista Runaway demonstra a saga da personagem principal. O arranha-céu representa a necessidade humana de dominar as redondezas, e por este motivo esse símbolo está presente no início e no término do filme. Ao chegar ao topo Andréa tem uma revelação: percebe que aquele mundo a qual estava inserida não correspondia as suas expectativas. Quando consegue o emprego que tanto aspirava (trabalhar como jornalista) a personagem se depara com o mesmo prédio em uma perspectiva agora diferente.

A relação entre chefes e subordinados sempre rendeu assunto para estudos, palestras, workshops, discussões e, claro, filmes.


Acima anexei um pequeno vídeo com algumas cenas do filme: O diabo veste Prada, mas sugiro que as alunas do 7°. Período do Curso de Pedagogia assistam ao filme inteiro, analisando a saga dessa jovem que acabou de entrar no mercado de trabalho.

Embora seja um filme bem-humorado e leve, e que aborda mais especificamente o universo da moda, O diabo veste Prada traz à tona questões pertinentes a qualquer profissão e para qualquer profissional, o que possibilita fazer uma analogia entre as situações que vemos na tela e o nosso cotidiano.

Após assistir ao filme: O diabo veste Prada elabore uma reflexão a partir das seguintes questões: Será mesmo que Andy fez a escolha certa ao largar a vida de assistente pessoal pra abraçar o mundo jornalista da redação…E outro ponto.. a Miranda é realmente malvada?Pare e pense… Se todos querem ser como a tal Miranda e o trabalho com ela é motivo de reconhecimento. Não pode ser tão ruim assim.. A motivação e o estímulo das pessoas varia muito com o perfil de liderança ao qual estão ligados… Em que perfil de liderança se encaixa Miranda? Diabo veste Prada trabalha com a realização de sonhos e a satisfação dos nossos anseios profissionais. Não adianta estar na Runaway se a sua felicidade é escrever sobre esportes…Muito mais que dinheiro…Realização pessoal é a mais nova moda do mercado profissional.. Quer ser um chefe feliz… Satisfaça os desejos de seus funcionários. Deixe-os felizes… Bom, você terá que ver o filme para descobrir.

Aproveite, divirta-se e reflita sobre os desafios de ser um profissional de sucesso hoje.